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Resist??ncia Isl?�?�?�?�mica
Um novo vento do deserto que nos sussurra...
julho 30, 2003
Weblogs podem mudar o Irão
[via Wired News]
Graças a Hossein Derakhshan existem neste momento cerca de
12.000 blogs em língua Farsi. O Irão estava até uns tempos atrás, um bocado arredado do mundo dos blogs, devido ao facto dos alojadores de blogs, como o Blogger por exemplo, apenas suportarem caracteres romanos ASCII. Até que Derakhshan um iraniano expatriado de 28 anos adaptou uma pequena ferramenta que converte o sistema ASCII para Unicode, permitindo assim que línguas como o Árabe, o Farsi e o Círilico possam ser introduzidas normalmente num blog como os que nós usamos.
Numa altura em que jornais continuam a ser fechados no Irão, a Internet e especialmente os blogs, uma vez que podem dar voz ao iraniano ali da esquina, podem vir a desempenhar um papel importante no longo caminho até à democracia. No Irão cerca de um milhão de iranianos tem acesso á Internet que ao contrário por exemplo da China, continua fora da alçada das autoridades governamentais.
A terra tremeu... um bocadinho.
Ontem a terra tremeu a sul do país. Eu não senti. Graças a Allah foi um abalo fraquinho e sem danos ou vítimas.
O meu Irão é um país que tem sido posto à prova no que a tremores de terra diz respeito.
A 22 de Dezembro de 856 um tremor de terra matou quase 200.000 pessoas. Também em Arbabl a 23 de Março de 893 150.000 pessoas morreram. Tabriz, junho de 1990, 50.000 mortos, num abalo de 7.7 na escala de Richter. Que Allah continue a proteger Portugal.
julho 29, 2003
Correio dos Leitores
Caro
Kaku deixo-lhe duas passagens corânicas e um hadite.
Alcorão, Cap.V versículos 90 e 91
"
Ó vós que credes, bebidas fortes, jogos de azar, ídolos, setas de adivinhação, são, somente, uma infâmia dos trabalhos de Satanás. Ponde isso de parte para que possais triunfar."
"Satanás procura somente espalhar entre vós a inimizade e o ódio por meio de bebidas fortes e desviar-vos da recordação de Allah e do Seu Culto."
e o hadite extraído da colectânea de Abu Daud...
"
É dada toda a consciência ao crente para que ele não faça uso das bebidas alcoólicas. Allah tira-lhe no momento em que ele viola este principio. Então, Satanás, torna-se o seu companheiro, o seu ouvido, a sua vista, os seus membros. O álcool conduz o homem a todos os vícios e livra-o de todas as virtudes."
Poema de Rubaiyat
There was a Door to which I found no Key,
There was a Veil past which I might not see...
julho 28, 2003
Vinho Iraniano (dedicado a FJViegas pelo simpático email)
Imaginando o
amigo Aviz, um apreciador de vinho, venho a título de simples curiosidade deixar alguma informação relativamente à produção de vinho no Irão.
O Irão e talvez para surpresa de alguns leitores é um bom produtor de vinho, talvez o mais antigo de todo o Médio Oriente. Algumas das pinturas palacianas de Teerão mostram belas musas de longos cabelos a verter vinho de copos dourados. A própria poesia persa está cheia de referências ao vinho. O poeta Hafiz escreveu várias vezes sobre o líquido e ainda hoje a sua poesia é recitada, mesmo pelo mais rígido dos mullahs, que se apressa a "informar" que o "vinho de Hafiz" não é alcoolico e que em vez de embriaguez, quem o consumir experiencia uma verdadeira sensação mistica.
Trasncrevo em língua inglesa um poema de Hafiz:
O cup-bearer, set my glass afire,
With the light of wine! O minstrel sing:
The world fulfilleth my heart's desire
Reflected within the goblet's ring
I see the glow of my love's red cheek,
And scant of wit, ye who fail to seek
The pleasures that wine along can bring!
Nem a Revolução conseguiu parar a produção de vinho, nem os iranianos deixaram de o beber, quando esta chegou. O bago é simplesmento delicioso de mais para não ser bebido. O álcool faz parte de um submundo pouco visível. A produção caseira, de vinho, vodka e cerveja é absolutamente colossal, até whisky é contrabandeado a partir da Turquia e do Dubai.
Pessoalmente não bebo vinho, mas tenho um amigo que o faz em quantidade generosas, contou-me uma vez uma piada deliciosa... "O islão prometeu-nos que seriamos auto-suficientes" - dizia ele, "em vez disso tornamo-nos auto-suficientes na produção de álcool".
Lembro ao leitores que segundo o Islão beber álcool é pouco islâmico.
julho 25, 2003
Samuel P. Huntington
Frase interessante de Huntington que dá que pensar
julho 24, 2003
Saudável repto do Epicurtas
O
Epicurtas, lança um repto directo à Resistência. Pergunta-nos o que acha a Resistência da promessa inicial que parecia ser Katami, o ansiado reformador da República Islâmica que, parece afirmar o Epicurtas tem andado devagar com as reformas. Antes demais e para ser honesto com os leitores e dar espaço de manobra a interpretações e descontos, é minha obrigação dizer que já votei em Katami e que voltaria a fazê-lo. Parece-me importante esclarecer o meu posicionamento em relação a Katami, por uma questão de honestidade.
Há uma questão a analisar; a origem de muita tensão parte da própria natureza República Islâmica, o que é uma República Islâmica? Nem em 1979 os seus fundadores conseguiram acordar com uma definição.
A Sharia não era novidade para a Arábia Saudita, nem num nível mais baixo para a Malásia ou o Paquistão. Mas um sistema político governado por Guardiões Islâmicos... isso sim, era e é algo de novo.
Na sua forma original a República Islâmica parecia um sistema teocrático simples, com as eleições a servirem apenas para ratificar as decisões dos clérigos, um pouco à imagem dos referendos soviéticos que, sem qualquer significado, serviam para legitimar as decisões já tomadas pelo Politburo.
Quando o Ayatollah Komeini decidiu fazer um referendo para avaliar o nível de aprovação popular para uma Republica Islâmica, sendo ao povo pedido que respondesse com um “sim” ou “não” á pergunta, “Deve a Republica Islâmica substituir a Monarquia?”. O Sim obteve 98% dos votos. Mas o que era a Republica Islâmica ? Ninguém sabia bem.
Houve grandes discussões entre os que gizaram a nova Constituição sobre a relação entre uma Lei secular mais Ocidental e a Lei Islâmica, o papel da cultura iraniana e o da cultura islâmica, a distribuição de poderes entre o Presidente e o Parlamento. Nunca se chegou a um consenso, e a Constituição foi feita e assente em contradições. Democrática e autoritária, islâmica e secular.
Um Governo com um Primeiro Ministro (depois abolido), um Presidente, um Parlamento eleito e um sistema judiciário, tudo isto metido dentro de uma estrutura teocrática, cuja suprema autoridade provinha de um só homem, um homem de Deus, Líder Supremo, o Ayatollah, que detinha o controlo do aparelho repressivo, as polícias e os militares.
Nas eleições de 1997, após um complicado processo de selecção de presidenciáveis onde de 230 pré-candidatos quatro são autorizados, a concorrerem às eleições, entre eles Katami.
Katami levou a sua mensagem directamente ao povo, e fez uma campanha eleitoral muito ao estilo ocidental, viaja como um simples iraniano, de carro ou de autocarro, em entrevistas falava sobre os seus hobbies (ping-pong e natação), os seus filósofos favoritos, e de como queria que a sua mulher tirasse a carta de condução. Katami era apelativo aos jovens e ás mulheres, falava contra a superstição e o fanatismo, sobre como quebrar o monopólio político da Direita, criar mais emprego e melhores oportunidades de educação.
Katami gozava também de um particular à vontade televisivo. O seu natural carisma e o seu intelecto, valeram-lhe vitórias em todos os debates televisivos que efectuou.
O Conservadores que inicialmente, não consideraram Katami como uma ameaça eleitoral, começaram a temer e planos foram feitos para falsear a eleição. O temor por um levantamento popular se se descobrisse que as eleições tinham sido forjadas levaram os Conservadores a apelar ao voto popular. A população compareceu em massa (80%) e Katami foi eleito com 70% dos votos.
Lembro-me em particular de a uma certa altura em que por qualquer razão estava num estaleiro de construção, e com 50 ou mais companheiros de trabalho assistimos a um debate televisivo entre Katami e Nateq-Nouri, quando o debate acabou todos sem excepção estavam resolvidos a votar em Katami.
A eleição de Katami veio expor alguns problemas da Republica Islâmica, os seus apelos para maior tolerância, a abertura de espaços públicos. Experiências começaram a ser feitas por todos, conservadores, seculares, religiosos, todos a ver até onde a corda podia esticar.
Mas Katami tem uma relação complexa com o actual Ayatollah Kamenei e com os Conselho de Guardiões. Têm muito em comum; ambos foram clérigos, ambos são descendentes do Profeta (daí o turbante negro), ambos são homens de ideias convictas.
Mas como lhe disse anteriormente as polícias, os militares, os serviços secretos, estão nas mãos dos conservadores por interposição do Ayatollah. É difícil trabalhar livremente desta forma. É um processo, é lento, mas é um processo em movimento.
Aqui está um exemplo soft
Hoje recebi email de um leitor interessante chamado António Manuel. O Sr. António começa por tentar jogar com aquela táctica do “eu-digo-que-não-vais-fazer-e-por-isso-tu-fazes” escrevendo (o sublinhado é meu):
“Caro Sheik Sameer Baz:
É óbvio que não irá responder a este email, nem o irá referir no seu blog. Tem questões demasiado incómodas para quem, sendo lobo, tenta vestir a pele de cordeiro. Ou para quem tem como crença uma religião intolerante e fanática, que cultiva a morte e vive em pleno feudalismo.”
Pois caro António como pode ver, aqui está a nascer a sua resposta, e o seu email. Como não nos insulta com palavrões (como tantos têm feito), e apesar do oblíquo conteúdo da sua missiva, achámos que seria interessante (em jeito de
case study da psique) abordar algumas destas questões. O leitor António continua:
“
Descobri o seu blog há alguns dias. Fiquei absolutamente perplexo pelo seu título. Resistência Islâmica ? Porquê ? Alguém o persegue, neste País onde você vive, por razões que desconheço? Não ? Se não é essa a situação, com quem é que você está em guerra ? E porque vem travar essa guerra para Portugal ? Foram questões que me ocorreram, assim de repente. E, curiosamente, dei comigo a pensar o que aconteceria se eu, um católico, fosse viver para a Arábia Saudita, para o Irão, para o Sudão, ou para qualquer outro país muçulmano, e decidisse fazer um blog intitulado Resistência Católica. E lembrei-me de casos recentes de católicos paquistaneses, acusados de blasfémia, e que correm o risco de ser condenados à morte. “
O termo Resistência Islâmica, tem origem num termo equivalente árabe. Não se refere a nada militaresco ou bélico como teme. Nada tem a ver com Resistência, tipo Resistência Francesa. Na sua origem o termo refere-se a um caminho contra uma certa “escuridão”, contra uma certa “perca”, por se estar fora da Luz do Islão, fora da paz de espírito, da segurança, e do conforto que uma religião, qualquer uma, seja a sua ou minha podem trazer a um espírito perdido.
Continua:
“Mão amiga fez-me chegar, recentemente, fotocópia de um artigo publicado numa revista islâmica portuguesa, a Al-furqan, onde se diz que a Bíblia descreve Jesus Cristo como um bêbedo, que pode ser classificado como terrorista, porque pegou num grupo de apoiantes e foi espancar os vendilhões no templo.”
A Revista Al-Furqán orientada pelo senhor Adagmy, é da responsabilidade do próprio. Cabe ao próprio seleccionar textos para publicação. Nada tenho a ver com a revista. Que tem os seus méritos, embora por vezes peque por algum menor cuidado na gestão de sensibilidades culturais. Conhece o conceito de tabloide ? Digamos que mesmo na literatura religiosa, existem tabloides. Sem dúvida sinal da tolerância dos países ocidentais.
Sim, é verdade Sr. António, o Ayatollah Ruhollah Komeini viveu como refugiado muitos anos em França. Depois de ter abandonado o Irão, viveu no Iraque onde permaneceu por treze anos, em Najaf, cidade religiosa para os Xiitas. Após pressão feita pelo Xá, Saddam Hussein expulsou Komeini de Nafaj, e o Ayatollah viu-se obrigado a ir para França, depois de outros países lhe terem negado porto seguro. Viveu num apartamento alugado em Neuphle-le-Château até ao seu regresso ao Irão.
Continua o Sr. António:
”Há uma profunda ironia, no ódio que o mundo muçulmano tem pelo Ocidente, fonte de todos os males. Acabasse o Ocidente, e o que é que comiam os países árabes e muçulmanos ? Petróleo ? Não têm indústria, não têm agricultura a não ser de subsistência, não têm quadros, não fazem investigação científica. O fausto e a riqueza em que vivem os príncipes sauditas vem do dinheiro que nós pagamos pelo seu petróleo. Bom, mas a culpa é do Ocidente ! Porquê ? Porque acumulámos riquezas a explorar as colónias, mundo árabe incluído. Pois.”
A única ironia que vejo, é que o seu email, me lembra a história do cego que não quer ver.
O mundo muçulmano não odeia o mundo ocidental. O Islão está espalhado da Indonésia a Marrocos, aqui tão perto. Existem muitos que não gostam do Ocidente, claro, os muçulmanos são humanos. Da mesma forma que no mundo não-muçulmano existem muitos que não gostam do mundo islâmico, o senhor não está só.
De certa forma é fácil, se tivermos em conta que a maioria dos países muçulmanos são de Terceiro Mundo, com população com baixa instrução e mais vulnerável à manipulação política e maliciosa de certos muçulmanos. É fácil para um Mullah articulado e culto perante uma audiência de iliterados, faze-los acreditar que por exemplo, a Inglaterra é um mau país. Mas daí dificilmente poderá generalizar para todos os muçulmanos.
Dou-lhe o exemplo do Irão, que é o que conheço melhor e vou fazer uma afirmação que o vai fazer rir... simplesmente porque não conhece a realidade, mas acredite no que lhe vou dizer em letras gordas: OS IRANIANOS GOSTAM DOS AMERICANOS! Quando tiver mais composto das gargalhadas, continue a ler...
O iraniano da rua vê a América como uma terra de Demónios e Sonhos, de poder ilimitado e de promessas ilimitadas. Oficialmente os Estados Unidos são o pior inimigo do Irão, entre os seus pecadilhos estão:
1) Fomentar o golpe militar de 1953 que restaurou o Xá Reza Pahlavi ao poder;
2) fornecer-lhe biliões de dólares em armamento.
3) apoiar o Iraque durante a guerra Irão-Iraque.
4) não cumprir acordos financeiros aquando da crise dos reféns.
5) enfraquecer o Irão com anos de sanções económicas.
Nos anos 80 (83 salvo erro), eu estava em Dezful, que era na altura uma cidade arrasada pela guerra, na altura tínhamos recapturado a cidade aos iraquianos há pouco tempo. Num dado ponto da cidade, eu e quem me acompanhava deparámo-nos com uma mulher grávida, que tinha sido morta por um míssil soviético, disparado pelos iraquianos. Os vizinhos de braços levantados gritavam todos:
“Morte à América!”, “Morte à América!”... fiquei baralhado, e perguntei:
“Então mas o míssil não é Soviético?”
“É mas é a América que beneficia com a guerra!”- Responderam.
Mas ao mesmo tempo para muitos iranianos os Estados Unidos, permanecem a fantasia da Terra Prometida. O país do Baywatch, dos milhões fáceis, da vida quente de Los Angeles onde dezenas de milhar de iranianos vivem actualmente.
Quase todos os iranianos, mesmos os mais pobres, possuem uma antena parabólica, que lhes garante acesso imediato a canais americanos. Na minha casa mesmo sem parabólica era possível apanhar a CNN, devido à proximidade do Dubai. Qualquer adolescente iraniano, mesmo os que nunca saíram de Teerão sabem falar inglês coloquial, devido à televisão.
CDs americanos, video-jogos e programas de computador são pirateados nas ruas de Teerão por uma fracção do preço que custam nos EUA. O acesso a e-mail está mais generalizado em Teerão do que em qualquer outra capital do Médio Oriente que eu conheça.
Quando em Maio de 1995, o Bill Clinton impôs um embargo ao Irão, os bens de consumo americanos não desapareceram, apenas ficaram mais caros. Em Qom uma das cidades mais religiosas do Irão, uma banca ao lado da Mesquita é o melhor sítio de toda a cidade, para se comprarem calças Levis.
Quase todos os iranianos têm um familiar nos EUA. E acredite quando lhe digo que os iranianos que mais barafustam contra as políticas americanas, são os que em casa mais aparelhos da IBM, ou outras marcas americanas têm. No pico da questão das embaixadas em 79 e 80 os mesmos iranianos que protestavam contra os EUA , eram os mesmos que depois das manifestações iam a correr para casa ver o Bonanza. Acredite, que apesar da relação amor-ódio ser muito estranha. A maioria dos iranianos gosta dos americanos.
Mas o Sr. António pelos vistos também não gosta dos africanos:
“É o mesmo argumento que a África negra utiliza, para desculpar os desmandos, incompetência e corrupção dos seus governantes. A culpa é do homem branco ! “ [...] Mas há sempre uma conspiraçãozinha à mão, para sacudir as culpas. É a globalização, é o capitalismo internacional, é o colonialismo, são os judeus, etc, etc. [...] “
Mas pelos africanos não falo, embora discordando, do que diz o leitor. Mas que tal consultar o
Africa Pundit ?
Diz o Sr. António:
”Não tenha a arrogância, meu caro Xeque Sameer Baz, de vir utilizar as liberdades democráticas que este país generosamente lhe concede para nos vir dar lições de tolerância. A religião que o senhor representa tem que aprender primeiro a ser tolerante. Muito menos para se armar em perseguido, com essa história da ?Resistência Islâmica?. No dia em que qualquer cristão puder visitar Meca ou Medina, tal como qualquer muçulmano pode visitar o Santo Sepulcro ou a Basílica de S.Pedro, admito que você tem o direito de vir para aqui falar de tolerância e de respeito pelas crenças dos outros. Enquanto isso não acontecer, você não tem o direito moral de apregoar a tolerância e exigir respeito para si próprio e para a sua religião.“
E ainda, mais umas pérolas (o sublinhado e meu):
”Mas sabe, essa tolerância tem limites. ?Liberdade para todos, menos para os inimigos da Liberdade? era um slogan em moda, logo a seguir ao 25 de Abril. A tolerância para com os muçulmanos é um suicídio da nossa sociedade. Porque vocês representam a negação da Liberdade, da Democracia, do respeito pelos Direitos Fundamentais que são a base da nossa sociedade. Vocês querem destruir o nosso conjunto de valores políticos, éticos, sociais e culturais, e substituí-lo pelo Corão.
O seu direito em querer que o Islão domine o mundo terá, acredite, a resposta devida da minha parte e de muitos outros portugueses que acham que mais importante que o Corão ou que a Bíblia é a Constituição Portuguesa e a Carta dos Direitos Humanos em que parte essencial dessa Constituição se inspira.”
Assinando:
”Um católico tolerante (excepto para os intolerantes...)”
A estes últimos parágrafos arrogo-me o direito de não responder. Pois estou certo que a resposta é sabida pela maioria dos leitores deste blog.
julho 23, 2003
Mais Obrigados !
Ainda sobre o assunto de uns post anteriores... agradecimentos ao
Portugal e Arredores pelo seu post sobre a Líbia. Ao
Anarca Constipado pelas palavras simpáticas e finalmente ao
Adufe e ao
Complot. A todos que nos fizeram ver parte do Portugal que gostamos, admiramos e escolhemos para chamar Casa, obrigado.
Questões postas por um leitor
Recebi hoje um email que coloca as seguintes
perguntas:
1- As mulheres rezam em lugar diferente do dos homens?
2- O culto é feito em Árabe?
3- Se sim (o que eu julgo ser verdade), todos os muçulmanos sabem a língua?
4- A Madrassa pode ser frequentada por qualquer um?
Agradeço as questões e deixo as
respostas:
1- Sim, as mulheres oram num local diferente dos homens. O local de culto propriamente dito tem dois andares (no caso de Lisboa), acede-se ao segundo por umas escadas internas. A razão para esta separação, sobre a qual imagino que também gostaria de ter resposta, prende-se com o facto de durante a oração os corpos estarem em contacto, ombro com ombro, e durante a prostração, é comum quando a Mesquita está mais cheia a sua cara praticamente roçar no traseiro de um companheiro que esteja à sua frente. O que como imagina poderia gerar algum incomodo entre homens e mulheres, os árabes são geralmente bastante púdicos. Daí a separação.
2- Sim o culto propriamente dito é feito em árabe. Mas antes do culto há uma palestra em tudo idêntica há que julgo haver numa cerimónia católica, em que se contam pequenas histórias, neste caso do Alcorão, se debate um qualquer assunto da actualidade, ou se conversa sobre actividade que a comunidade vai fazer. Esta palestra no caso da Mesquita de Lisboa é dada em várias línguas.
Repare que a comunidade islâmica em Portugal não é só feita de árabes. Aliás a maioria cifra-se entre os guineenses. Mas também estão cá milhares de indianos e paquistaneses. Por isso no caso da Mesquita de Lisboa parte da palestra é feita em português (para africanos PALOP), em Urdu (para paquistaneses e muitos indianos) e em Árabe para os árabes e porque árabe é a lingua do Islão.
Quanto à lingua de culto, as preces, os pedidos, os cânticos, as suras, é tudo em árabe.
3- Não se pode dizer que todos os muculmanos saibam FALAR árabe. Todos sabem RECITAR em árabe, mas nem sempre sabem exactamente o que estão a dizer... têm uma ideia.
Imaginemos que o latim era a lingua oficial do cristianismo. Haveria de haver muita gente que saberia a reza do Pai Vosso (ou Pai Nosso?) em latim, mas que não saberia com exactidão traduzir e que tirando a reza, mais nada saberia de latim. Ficou com uma ideia ? Claro que há sempre não-árabes que sabem falar árabe. Mas são poucos.
4- A Madrassa é em teoria frequentado por quem é muçulmano ou por quem está a estudar para a conversão. Mas se se refere à aprendizagem do árabe, então sim qualquer pessoa pode frequentar. Mas tem é que apanhar o inicio do curso.
Para mais questões não hesitem.
Uday e Qusay
Hoje já falei com dois amigos que me disseram: "
Assassinaram o Uday e o Qusay". A expressão "assassinaram" demonstrava algum desconforto inconsciente com as mortes. Lembrei-lhes que Uday e Qusay, não vão deixar saudades no Iraque, que Uday e Qusay mataram, pilharam e torturaram.
Os media estão eufóricos com as mortes, a CNN fala como se o Iraque estivesse salvo. Mas que solucionam estas mortes ? Pôem a comidas nos pratos dos iraquianos ? Reconstroem-lhes os hospitais ? As estradas ? As escolas ? Tornam as ruas mais seguras ? Acabam com os milhares de casos de leucemia ? Fazem sequer o povo iraquiano sentir que foi feita justiça ?
Li nos jornais uma descrição dos confrontos, Uday, Qusay, um guarda-costas e o filho de Qusay que tinha 14 anos, estiveram 6 horas cercados numa casa por 200 soldados das forças especiais americanos, altamente treinados e com o apoio de helicopteros de combate. Será que não os conseguiam apanhar com vida ? Par serem julgados num tribunal iraquiano, para se poupar a vida da criança ? 200 contra 4. E tiveram de arrasar a casa ? Se calhar sou eu que não percebo bem de tácticas de guerra, mas quer-me parecer que até um esquadrão da polícia de intervenção tinha feito melhor.
Versículo (3,144 [138])
"Muhammad é apenas um Profeta; outros Profetas por aqui passaram já. Se morresse ou se o matassem voltaríeis atrás?"
É por convicção que a Resistência nunca irá desistir.
Chuva de apoios !
Allah Ukbar ! Chovem mensagens de apoio e de tolerância, o verdadeiro Portugal no seu melhor.
O
Blogue dos Marretas coloca a questão de forma simples; "
O medo da diferença, o medo do outro-diferente-de-mim-ou-dos-meus-vizinhos é provavelmente o motor da maioria dos insultos."
O bloguista das
3Tesas escreveu-me num email (que espero não faça mal citar); "
Ambos sabemos que graças ao Islão sabemos apreciar Aristóteles, porque a minha igreja (sou ateu, mas fui educado pelo catolicismo), não sabia ler grego, ou melhor, não quis aprender grego)."
O Canal de Livros deixa a sua mensagem de apoio e convida o Sheik a ler uma
crítica literária.
O bom
Portugal e Arredores conta como foi bem tratado na Líbia. Espero que no seu blog posso fazer uma descrição pormenorizada dessa viagem por certo interessante.
A
Liberdade de Expressão também deu o seu estimado contributo.
E um obrigado especial também a
A Sombra em particular a Fabien pelo email tão simpático.
Muitos outros blogs, como o
Universo Paralelo, o
Epicurtas, o
Soda Caústica, o
Piscoiso e o Nelson que julgo seja do
Desblogueador de Conversa, deixaram na caixa de comentários mensagens de apoio, a todos eles mais uma vez agradeço.
E prometo dedicar-lhe uma Sura extra na oração de sexta-feira.
julho 22, 2003
Nova lista
Os novos amigos abaixo citados, foram adicionados à lista de leituras deste weblog. Obrigado mais uma vez.
Agradecimentos
Gostaria de agradecer à
Bomba Inteligente (feliz por não ser teleguiada), à
Soda Caústica, ao
Epicurtas e finalmente ao
Piscoiso pelas palavras simpáticas que me enviaram por email.
Sameer Baz
Insultos
Desde que o Resistência Islâmica ficou online, tenho recebido dezenas e friso, dezenas de emails. Uma boa percentagem deles, eu diria mesmo quase metade, são insultos. Da mais variada espécie... desde "
Volta para o buraco de onde saiste", passando por insinuações de que sou terrorista (!!!) e de que tenho ou terei em breve a polícia à perna.
Devo confessar que alguns email me divertem, outros intrigam-me e outros ainda pôe-me triste. Mas houve um que pelo ridículo do seu conteúdo, vou mencionar: Vem assinado Zé, e o Zé acha que o Islão é uma "
religião de trogloditas ridículos", e inúmera as razões, sendo que uma delas: "
executam mulheres e crianças a torto e a direito" outra, "
dizem mal de Jesus e dos apóstolos" e ainda, "
propagam a SIDA e as doenças de cabaré".... doenças de cabaré ?????
Um email coloca a questão, sobre o porquê "
da estupidez do simbolo do Islão", conter uma impossibilidade astronómica, que é a "
Lua em crescente com uma estrela a ocupar o espaço que estaria reservado à percentagem oculta da lua".
Mais uma vez não sei bem que responder, mas informo que a estrela simboliza o planeta Vénus.
Gostaria de ouvir comentários por parte de outros bloguistas, agora estou curioso.
De volta a Lisboa
Felizes por estarmos de volta ao mundo dos Blogs
julho 11, 2003
Quarta 09.07.2003
Quinta 10.07.2003
Decidimos explorar Beirute a pé. Passeámos ao longo do Corniche, a Estrada costeira e visitámos Pidgeon Grotte. Nã é fácil manter estas crónicas. Se calhar é melhor parar até regressarmos.
julho 08, 2003
Segunda 07.07.2003
Terça 08.07.2003-07-08
Depois de termos pago 20 Dólares americanos pelos vistos, fomos até às passadeiras das bagagens. Surpresa das surpresas... a minha bagagem não chegou toda, o que na verdade não me surpreendeu, pois fiquei com a sensação que a senhora em Berlim não me tinha posto a etiqueta electrónica em todas as malas. Portanto em parte a culpa é minha. Apesar de lhe ter perguntado várias vezes e de ela me ter sempre assegurado que sim, que “tudo estava bem”.
Este incidente despoletou todos aqueles mecanismos de identificação, local de residência, local de origem etc etc...
Com sorte o que falta da minha bagagem chegará amanhã num outro avião.
Chegada ao hotel. Segunda oração do dia.
Um duche e descanso na cama.
Na manhã seguinte enquanto tomo o pequeno almoço sou informado que a minha mala está no aeroporto à minha espera. Um milagre por certo.
Gasto mais 30 Dólares no taxi (ida e volta), para uma desilusão, a mala ainda não chegou... chegará amanhã no avião que virá de Tarom.
julho 07, 2003
Chegada !
Sábado 05.07.2003
Domingo 06.07.2003 Beirute
Partimos de Berlim num ATR-42 das linhas aéreas romenas, onde irei esperar pela ligação para Beirute, marcada para as 10 da manhã. Tudo em Bucareste é limpinho e arrumado.
O Boeing 737 para Beirute parte a horas, o que me surpreendeu. Chegaremos ao nosso destino as horas marcadas.
A aterragem foi uma aventura, a aproximação ao Aeroporto Internacional de Beirute foi feita à noite, o que foi uma pena. Sobrevoamos o casario a apenas uns metros dos telhados. Foi uma vista terrível da cidade, mas Allah não nos abandonou.
julho 04, 2003
Entradas
As entradas serão confusas e estilo diário. Felizmente tenho Moha comigo e tudo será em português, talvez com pouco nexo, mas é com boa vontade.
Ainda o Líbano
Irei voar via
Berlim ->
Bucareste ->
Beirut
Reservei de antemão por email um quarto no Hotel Mayflower, que se situa lateralmente à Rue Hamra, que era uma rua famosa pelas suas lojas antes da guerra. Pequeno almoço incluído.
Líbano
Caros leitores, o Sheik e seu assistente vão ao Líbano. Tentarão enviar post de lá, a ver vamos, senão até daqui a uns dias.
1+1=2
As coisas não estão nada bonitas por esse mundo fora. Mas muita gente previu este tipo de cenários:
Os americanos estão enterrados até ao pescoço no
Iraque, com mortes diárias e os tentáculos iranianos a manipularem muita coisa. No
Afeganistão as coisas não estão melhores, com o apoio do
Irão numerosos grupos islâmicos estão em plena reorganização (ver post do dia 23 de Junho ). No
norte do Paquistão, região que muito apoia e lucra com as forças talibã, os mullahs ganham dia após dia maior protagonismo. Não sei como isto vai acabar, mas não vai acabar a bem.
julho 02, 2003
Maioria nos EUA duvida pela primeira vez da verdade sobre Iraque
Pode-se ler hoje no
Diário Digital:
"A maioria dos norte-americanos considera, pela primeira vez desde o início da guerra no Iraque, que a administração Bush «tomou liberdades» em relação à verdade no que se refere às alegadas armas de destruição maciça iraquianas, revela uma sondagem realizada pela Universidade de Maryland junto de 1.051 pessoas.
Cerca de 52% dos inquiridos considera que o presidente George W. Bush e respectivos colaboradores não foram totalmente fiéis à verdade, embora não tendo feito em qualquer momento declarações falsas sobre os programas químicos, biológicos e nucleares de Saddam Hussein.
No entanto, para cerca de 10% dos inquiridos, as autoridades norte-americanas apresentaram ao Congresso, ao público norte-americano e à comunidade internacional provas que sabiam que eram falsas.
Cerca de 32% acredita que o governo declarou sempre a verdade sobre o arsenal nuclear iraquiano e 63% dos inquiridos consideram que o Congresso deveria investigar as agências de «intelligence» para ver como obtiveram as informações apresentadas pelo governo.
A percentagem de pessoas que apoiam incondicionalmente a guerra levada a cabo pelos Estados Unidos passou de 53% em Maio para 46% em Junho. "
julho 01, 2003
Mudança de visual
Este blog está a mudar de roupa... segue dentro de momentos
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